Monday, 13 October 2008

Fumo Ltda. Parte V: A Vinganca do Galego

Na terca pela manha, fui a universidade para assistir uma palestra do meu curso, e aproveitei para anotar mais numeros e agendar mais visitas a procura da minha nova casinha.

Chego em casa e o meu laptop continua na mesma situacao: internet apenas sentado no meio da casa. Anoto ainda mais numeros em casa, mas, de repente, aquela super vontade de jogar tudo pro alto me bate. Resolvo que naquele dia nao procuraria mais casas, e, para facilitar um pouco mais as coisas para mim, voltaria mais uma vez a loja para trocar o laptop.

Laptop nas costas rumo a PC World. Vou para o mesmo balcao que fui atendido da ultima vez, e explico a situacao. O atendente me apontou um outro balcao para analisar o computador. Chego ate o balcao, e o rapaz liga o meu bichinho. Como eu podia imaginar, a internet estava pegando (ate porque, numa loja de informatica, o router deve ser do tamanho de um trem, nao e verdade?).

Enquanto o rapaz me atendia, uma gordinha daquelas que parecem Danny DeVito interpretando o Pinguin em Batman, reclamava do seu laptop tambem, bufando, ficando toda vermelha, parecendo uma panela de pressao.

Eu explico para o atendente que antes eu tinha um laptop que funcionava em casa, e depois de troca-lo nao conseguia acessar mais. E ate onde eu sabia e procurei saber, nao tinha mudado nada na rede da casa de Mrs. Barker. Ele me diz que nao pode fazer nada, pois ele esta testando o laptop na minha frente e ele esta funcionando normalmente. Pergunto-o se ele pode chamar o gerente, ele responde positivamente, mas avisa que caso o gerente lhe pergunte sobre o problema do meu laptop, ele tera que dizer que nao viu problema nenhum.

Primeiros desesperos verificados.

Ele entao chama o gerente, e eu, numa atitude auto-preservativa, peco para que o gerente atenda a gordinha antes. Nao entendi direito o que ela queria, mas alguns minutos depois de discutir com o gerente (que mantinha-se calmissimo), a gordinha bufenta saiu revoltada toda vermelha e bufando mais ainda.

Ao se dirigir a mim, o atendende ja me apresentou ao gerente como sendo mais gentil e educado. Expliquei pro gerente minha situacao, e disse-lhe educadamente que nao queria um computador que funcionasse na loja dele, mas na minha casa. Ele entao me disse que poderia me dar um laptop novo, mas caso o problema persistisse, ele nao poderia trocar mais. Aceitei na hora.

Me dirigi ate o balcao, e eis que para minha surpresa, enquanto o cara do caixa fazia a transacao no computador, ele constata que o preco do laptop havia caido £30. Ja estava comecando a contabilizar mais um fumo, quando para minha surpresa, o rapaz me diz que essa diferenca me seria dada. Nao acreditei. No Brasil, provavelmente o cara diria algo do tipo "po meu vei, se voce tivesse comprado esse laptop hoje, voce teria 30 libras pra tomar uma cervejinha".

Quando aquelas notas tocaram minha mao, sabia que minha sorte havia mudado. Nem me preocupei com a internet do laptop, pois sabia que ia funcionar. E realmente funcionou. Feliz com a volta da internet e consequentemente o contato com o Brasil, mal podia imaginar que ainda tinha mais naquele dia.

O pessoal da 2a casa tinha avisado que na quarta feira avisariam sobre o novo morador da casa. Mas resolveram fazer isso na terca mesmo. Mark (que havia me recebido na casa) me liga avisando que o pessoal me escolhera como novo housemate. Quase nao acreditei mais uma vez. Nao estava acostumado a receber tantas boas noticias de uma vez so por aqui. Por um instante, liguei o viadinho mode on e deu ate pra cair umas coisinhas dos olhos. Viadinho mode off.

No final das contas, este tinha sido um dia daqueles em que o mais ateu dos ateus olha pra cima e diz algo do tipo "valeu, brother".

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